Instante agudo em suspenso, apago as luzes. O silêncio voraz de uma calma que não é minha, o sopro esparso ao escuro das horas. Um estranho universo às avessas a configurar-se como de um susto em meu peito. Eu sou este curso fragmentado dos meses que ardem, sou a muda mobília que ri, a bagunça dos dias ainda não atravessados. E então uma flor à janela, um aceno. Não exatamente. E então uma flor à janela, uma flor à janela. Valsa vítrea transloucada, eu sou o calor do abismo vislumbrado. A flor transposta e então a queda. Nenhuma palavra, o céu no estômago. Uma calma em minha calma, um sopro em meu sopro, o silêncio voraz dos sorrisos em festa. E luzes. Eu sou este fiasco das anotações impossíveis, sou a violência do poema não escrito, o drama. Sou a desconstrução do reflexo de um idiota. Prossigo.



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