Agora este pequeno meninote a correr contente sou eu, sou esta mão nervosa, o calor na fronte da rapariga, sou a ventania a percorrer a estrada do Mundo da Tempestade. E o menino a correr contente, este feliz menino de pés empoeirados ao chão de terra batida, a acenar para os peixes no lago, a sorrir galopante um sorriso de festa, sou eu este menino e sua comédia, sou a vergonha dos chinelos velhos à janela, sou o frio da noite sem estrelas a invadir as casas, este menino a correr sou eu!, e corre, corre, o ar aos cabelos encaracolados, sou eu! A vida a explodir no peito, eu!, sou esta vida a explodir no peito do menino que corre, que corre, que corre. Sou esta cortina de pó a pairar à luz do meio-dia e corro, corro, sou esta alegria que corre e corro a não poder mais. Sou esta luz atravessada a correr, sou esta manhã dos pardais, este menininho sou eu!, sou eu o que corre e corre e corre a sorrir a sorrir a sorrir para sempre ao lago dos peixes, aos pardais amanhecendo, às explosões das borboletas escondidas, eu!, sou este meninote à vida!, sou esta farra transloucada em câmera-lenta, eu!, a correr e correr sorrindo a brincar ao voltear do vento a assoprar as folhas à beira da estrada do Tempo!



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