Febre.
______Procuro um instante livre de torturas por entre as cenas que crio. O estômago não se aquieta, minhas dores disputam minha atenção em espécie de jogo estranho: cadências sombrias, ritmos abissais, arpeggios alucinados. O entardecer invade o cômodo e volteia sem pressa a muda mobília da sala. Em algum ponto do mundo, a morrer, como eu um velho homem cala. Procuro um instante livre de mortalhas, passeio intrépido por minhas mentiras. Mora em mim uma matilha feroz, esfaimada por mundos impossíveis, morangos. O idiota não parte de si, jamais se abandona. Sou um idiota simples, minha causa é a do absurdo ordinário, durmo pouco, sou educado; procuro um instante de calma em meio à violência do inevitável. Pro Inferno. Fito atônito o absurdo estético refletido em uma colher atravessada por sobre a xícara de café, acendo um cigarro. Fantasio um delírio onde mato um homem com a ponta de um guarda-chuva. A chuva despenca violentamente ao mundo.
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