Diálogo no escuro.
W. – Sobre o que quer conversar?
K. – Estava pensando em sexo.
W. – Em sexo?
K. – Sim.
W. – Você quer conversar sobre sexo?
K. – Não, eu não disse isso.
W. – Ah, sim.
K. – Você já foi lá fora?
W. – Lá fora? Fora daqui?
K. – Sim, lá fora, já saiu daqui alguma vez?
W. – É claro que não, você sabe que não.
K. – Deve ser bonito.
W. – É perigoso.
K. – Não deve ser tão perigoso assim.
W. – Dizem que existem coisas estranhas por toda parte.
K. – Coisas estranhas?
W. – Eu não sei, dizem que são como monstros.
K. – Monstros…
W. – Sim, monstros.
K. – Quem diz isso?
W. – Quem diz o quê?
K. – Isso de monstros, coisas estranhas…
W. – Não entendo.
K. – Você disse que dizem ser perigoso lá fora.
W. – Estou confuso.
K. – Se aquiete, não precisa responder.
W. – Estou confuso.
K. – Calma, calma, segure um dos meus pés.
W. – Você é muito gentil.
K. – E então? Se sente melhor?
W. – Muito melhor, muito melhor.
K. – Deveríamos ir lá fora qualquer dia desses.
W. – Dizem ser perigoso, muito perigoso…
K. – Você gosta daqui?
W. – Muito, muito perigoso…
K. – Você gosta daqui?
W. – Não reclamo.
K. – Lá fora deve ser bonito.
W. – Pode ser que seja.
K. – E então? O que me diz?
W. – Sobre o quê?
K. – Estou confuso.
W. – Venha, agarre minha língua.
K. – Sua língua?
W. – Minha língua, vamos.
Pausa.
K. – Sobre o que quer conversar?
Silêncio e
fim.
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